Jerusalém, 15 de junho de 2025 – Em uma revelação que promete abalar as estruturas do cristianismo moderno, o diretor Mel Gibson anunciou que sua aguardada sequência de “A Paixão de Cristo” será baseada em textos proibidos há mais de 1.700 anos, preservados exclusivamente na Bíblia Etíope. Em um vídeo que viralizou nas últimas horas, Gibson afirma que a descrição de Jesus contida nesses manuscritos antigos é radicalmente diferente da imagem ocidental tradicional, e que sua nova produção cinematográfica, com orçamento de 100 milhões de dólares, trará essa visão para as telas do mundo inteiro.

A declaração foi feita durante uma entrevista ao podcast de Joe Rogan, onde Gibson detalhou pela primeira vez o conteúdo dos dois filmes que planeja lançar em 2027. O diretor, conhecido por seu estilo visceral e controverso, afirmou que a Bíblia Etíope, com seus 81 livros canônicos contra os 66 da Bíblia protestante ocidental, contém uma narrativa sobre Jesus que foi deliberadamente suprimida pelos concílios da Igreja no século IV.
“Existe uma Bíblia que a igreja proibiu há mais de 1700 anos”, declarou Gibson no vídeo. “Não uma versão diferente, mas uma Bíblia com livros inteiros que foram arrancados das escrituras ocidentais, queimados, apagados e declarados perigosos demais para o cristão comum ver.” O diretor se refere especificamente ao Livro de Enoque, ao Livro dos Jubileus e à Ascensão de Isaías, textos que, segundo ele, foram lidos e citados pelos primeiros cristãos, mas posteriormente banidos por ameaçarem o monopólio da salvação pela Igreja institucional.
A descrição de Jesus presente nesses textos é o que mais chocou os estudiosos que tiveram acesso ao material. “Cabelos como lã iluminados pelo sol, olhos como fogo incrustado em cristal, um rosto mais brilhante que mil sóis”, descreve o narrador do vídeo, Ivan Lima. Essa imagem contrasta fortemente com a figura de cabelos lisos e olhos claros que domina a iconografia ocidental. “Esse é o Cristo que monges etíopes copiaram a mão por séculos em mosteiros escavados em paredões rochosos”, acrescenta.
O impacto teológico é profundo. Enquanto o cristianismo ocidental tradicional enfatiza a queda da humanidade e a necessidade de redenção através da Igreja, os textos etíopes invertem essa perspectiva. “Vocês não são filhos do pó, mas filhos da luz”, diz uma passagem preservada nesses manuscritos. “O divino não é distante, já vive dentro de cada alma. A salvação não é um dom concedido por sacerdotes, mas um despertar interior para o que já existe.”
Especialistas em história da Igreja confirmam que o Livro de Enoque, escrito possivelmente já em 300 a.C., era amplamente lido durante o período do Segundo Templo e moldou o vocabulário teológico do cristianismo primitivo. A figura do “Filho do Homem” descrita por Enoque usa o mesmo título que Jesus se atribuiu repetidamente nos Evangelhos. O Apocalipse de João, escrito séculos depois, contém paralelos exatos com Enoque: “Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, e seus olhos eram como chamas ardentes.”
Gibson não esconde sua intenção de usar esses textos como base para sua nova produção. “A ressurreição não será mostrada como um corpo voltando à vida, mas como o ser mais poderoso que existe recuperando toda a sua glória ilimitada após tê-la aprisionado voluntariamente em carne humana”, explicou o diretor. Ele planeja mostrar Cristo transitando por outros reinos: o Sheol, o submundo hebraico, e os céus descritos na Ascensão de Isaías, onde Cristo desceu pelos sete níveis, suprimindo deliberadamente sua própria divindade até caber em um bebê em Belém.

A produção está confirmada em duas partes, com distribuição da Lion Gate e orçamento de 100 milhões de dólares. As filmagens ocorrerão nos estúdios Cinecittà, em Roma. A primeira parte está prevista para a Sexta-Feira Santa de 2027, e a segunda, 40 dias depois, no Dia da Ascensão. “Não é uma narrativa linear, não é uma dramatização reverente”, alertou Gibson. “É algo que nunca foi feito no cinema.”
O anúncio já provocou reações intensas em todo o mundo. Líderes religiosos ocidentais expressaram preocupação com o que chamam de “revisionismo teológico perigoso”. O Vaticano, por enquanto, mantém silêncio oficial. Já a Igreja Ortodoxa Etíope, que preserva esses textos há séculos, recebeu a notícia com cautela, mas também com um certo orgulho. “Esses manuscritos não foram autorizados a sair da Etiópia”, lembrou um porta-voz. “Eles são nossa herança sagrada.”
A Universidade de Oxford datou por radiocarbono manuscritos encontrados em um mosteiro etíope à beira de um penhasco, datando-os entre 330 e 660 d.C. Eles estão entre as mais antigas ilustrações cristãs sobreviventes. “Quando especialistas em conservação chegaram para restaurá-los, tiveram que escalar a encosta do penhasco, carregando equipamentos nas costas”, relatou o vídeo. “Os manuscritos não foram autorizados a sair. Simplesmente não saem.”
O que está em jogo, segundo os estudiosos, é a própria narrativa fundadora do cristianismo ocidental. “Se uma versão inteira da história pode ser enterrada tão completamente que bilhões de pessoas nunca souberam que ela existia, o que mais está escondido nos espaços entre o que nos disseram e o que realmente é?”, questiona Ivan Lima, apresentador do canal que divulgou o vídeo.
A controvérsia já está gerando debates acalorados nas redes sociais e entre teólogos. Para alguns, Gibson está simplesmente explorando uma veia comercial, usando textos apócrifos para chocar e atrair público. Para outros, ele está prestando um serviço à humanidade ao resgatar uma tradição cristã que foi deliberadamente silenciada por interesses institucionais.
O diretor, que em 2004 arrecadou mais de 600 milhões de dólares com “A Paixão de Cristo” – um filme filmado em aramaico, latim e hebraico, recusado por todos os grandes estúdios e financiado do próprio bolso – parece disposto a repetir o feito. “A paixão contava apenas metade da história”, disse Gibson. “Agora vamos contar o resto.”
Enquanto o mundo aguarda as filmagens, os monges etíopes continuam seu trabalho silencioso. Nas igrejas da Etiópia, Cristo ainda é conhecido como “Ia Barrar”, o Senhor do universo. Os ícones o retratam com pele escura, olhos penetrantes, rodeado por halos dourados. “Plenamente humano e inegavelmente cósmico”, descreve o vídeo. “A visão ocidental: Jesus oferece primeiro conforto. Na visão etíope, o temor reverencial vem primeiro, e o conforto vem depois, mas somente após você reconhecer quem está diante de você.”

A pergunta que ecoa agora é: será que o mundo está pronto para ver esse Jesus? Gibson aposta que sim. E está colocando 100 milhões de dólares e sua reputação para provar isso. O resultado, promete ele, “vai te surpreender”.
A comunidade acadêmica, no entanto, adverte para a necessidade de cautela. “Não se trata de negar a validade desses textos, mas de entender seu contexto histórico”, explicou a Dra. Helena Marques, especialista em cristianismo primitivo da Universidade de São Paulo. “O Livro de Enoque é fascinante, mas foi excluído do cânon por razões teológicas que precisam ser compreendidas, não apenas condenadas.”
Para os fiéis etíopes, no entanto, a questão é simples. “Nós nunca esquecemos”, disse um monge em entrevista recente. “Enquanto Roma queimava livros, nós os copiávamos. Enquanto eles construíam impérios, nós construíamos mosteiros. Agora o mundo está vindo até nós.”
O anúncio de Gibson já está sendo comparado ao impacto que “O Código Da Vinci” teve sobre a percepção popular da história da Igreja. Mas, enquanto o livro de Dan Brown era ficção, os textos etíopes são reais. Eles existem, foram datados por carbono, e estão sendo estudados por algumas das maiores universidades do mundo.
A pergunta que fica é: o que mais está escondido? Se a Bíblia que conhecemos é apenas uma versão da história, quantas outras versões existem? E quem decide qual é a verdadeira?
Mel Gibson, ao que tudo indica, está determinado a responder essas perguntas da maneira mais barulhenta possível: na tela do cinema, com som surround e efeitos especiais de última geração. “A fonte de toda a vida experimentando a falência e depois rasgando o véu”, promete o diretor. “Isso não é um filme. É uma experiência.”
O mundo, dividido entre a fé e o ceticismo, entre a tradição e a revelação, assistirá. E, como sempre acontece com Gibson, ninguém ficará indiferente.
Enquanto isso, nas montanhas da Etiópia, os monges continuam seu trabalho. Iluminados apenas por lamparinas a óleo, eles moldam à mão cada caractere da antiga escrita ge’ez. Produzem tinta de minerais e plantas, pergaminho de peles de animais. O trabalho leva meses por manuscrito e entorta suas costas, prejudica sua visão. Mas eles suportam tudo isso porque acreditam estar preservando revelações divinas.
Agora, com Mel Gibson, essas revelações podem finalmente sair das paredes rochosas e chegar às telas do mundo inteiro. E, se o diretor estiver certo, nada será como antes.
Reportagem de [Seu Nome], de Jerusalém, para a [Nome do Veículo].